Πέμπτη, 13 Ιουλίου 2017

África: três vezes mais celulares do que acesso a água encanada

“Apesar de sig­na­tário de di­versos acordos para ga­rantir a se­gu­rança hí­drica, este con­ti­nente sim­ples­mente não pode pagar pela in­fra­es­tru­tura ne­ces­sária para que todas as pes­soas gozem deste di­reito”, ex­plicou o es­pe­ci­a­lista Mike Muller da Uni­ver­si­dade Witwa­ter­sand, na África do Sul. “A África sub­sa­a­riana uti­liza menos de 5% dos seus re­cursos hí­dricos, mas o custo de levar o ser­viço de es­goto para todos os ci­da­dãos pode ser um im­pe­di­mento”, in­dicou Muller.
O Con­selho Mun­dial de Águas (WWC, em in­glês), fun­dado em 1996 com mais de 300 mem­bros que ad­vogam pela so­be­rania hí­drica, as­si­nala que o mundo de­verá des­tinar cerca de 650 bi­lhões de dó­lares por ano até 2030 para cons­truir uma in­fra­es­tru­tura ne­ces­sária para ga­rantir a se­gu­rança hí­drica uni­versal.

Pro­blema hí­dricos re­cor­rentes

Este con­ti­nente to­davia está longe de gozar dos re­tornos dos in­ves­ti­mentos no setor hí­drico. Por exemplo, há mais ci­da­dãos com te­le­fones mó­veis do que com acesso à água limpa e vaso sa­ni­tário.

Um in­forme de 2016 pu­bli­cado pela Afro­ba­ro­meter, rede afri­cana de pes­quisa que es­tudou o acesso aos ser­viços bá­sicos e in­fra­es­tru­tura em 35 países, con­cluiu que apenas 30% dos afri­canos te­riam acesso a vasos sa­ni­tá­rios e 63% a água en­ca­nada, mas 93% deles ti­nham acesso a ser­viços de te­le­fonia móvel.

Os go­vernos devem in­vestir em pro­jetos hí­dricos que abas­teçam a po­pu­lação com água po­tável. Es­pe­ci­al­mente num mundo onde 800 mi­lhões de pes­soas não o têm e onde as en­fer­mi­dades de­ri­vadas da con­ta­mi­nação da água deixam 3,5 mi­lhões de mortos por ano, como in­dicou o WWC no marco do Dia Mun­dial da Água, que se ce­le­brou em 22 de março sob o lema “Águas re­si­duais: por que des­per­diçar água?”.

A WWC alertou que a in­se­gu­rança hí­drica custa para a eco­nomia mun­dial cerca de 500 bi­lhões de dó­lares por ano. “Os lí­deres do mundo se deram conta de que o sa­ne­a­mento bá­sico é fun­da­mental para a saúde pú­blica, de­vemos atuar agora para con­quistar o Ob­je­tivo de De­sen­vol­vi­mento Sus­ten­tável 6 (ODS), que é ga­rantir a dis­po­ni­bi­li­dade de acesso à água, sua gestão sus­ten­tável e sa­ne­a­mento bá­sico para todos até 2030”, re­cordou o pre­si­dente da WWC, Be­ne­dito Braga.

“Pre­ci­samos de um com­pro­misso no mais alto nível para ga­rantir a dis­po­ni­bi­li­dade de re­cursos hí­dricos em cada po­vo­a­mento e ci­dade do mundo”, agregou. A falta de água po­tável, alertou Braga, pode con­tri­buir com a fome, a guerra e a emi­gração sem con­trole e ir­re­gular. “A água é um in­gre­di­ente es­sen­cial para o de­sen­vol­vi­mento so­cial e econô­mico em todos os se­tores; as­se­gura que haja su­fi­ci­entes ali­mentos para todos, for­nece abas­te­ci­mento de ele­tri­ci­dade es­tável e as­se­gura o mer­cado e a es­ta­bi­li­dade in­dus­trial, entre ou­tros be­ne­fí­cios so­ciais e econô­micos”, in­dicou.

“O mundo não pôde cum­prir com a meta de sa­ne­a­mento de 2015 e fi­caram 2,4 bi­lhões de pes­soas sem o ser­viço com a ne­ces­si­dade de que haja in­ves­ti­mento em sa­ne­a­mento, o que se­gundo a WWC deixou pre­juízo de 4,3 dó­lares por cada dólar não in­ves­tido, ao re­duzir custos de saúde”, pre­cisou Braga.

Ri­queza das águas re­si­duais

Se­gundo a ONU, águas re­si­duais são “com­bi­na­ções de eflu­entes do­més­ticos com­postos por águas ne­gras (fezes, urina e co­li­formes fe­cais) e águas cinzas (de banho e co­zinha), além da água de es­ta­be­le­ci­mentos co­mer­ciais e eflu­entes de ins­ti­tui­ções in­dus­triais e da agri­cul­tura”.

De acordo com o quarto In­forme do De­sen­vol­vi­mento Mun­dial de Águas, atu­al­mente só 20% das águas ser­vidas são tra­tadas ade­qua­da­mente, e isso de­pende prin­ci­pal­mente da ar­re­ca­dação de cada país. A ca­pa­ci­dade de tra­ta­mento é de 70% das águas re­si­duais ge­rais nos países de grandes eco­no­mias, em com­pa­ração com apenas oito países mais po­bres, se­gundo o in­forme da ONU Água, Gestão de Águas Re­siduais.

“É pre­ciso uma mu­dança de pa­ra­digma nas po­lí­ticas de águas em todo o mundo, não só para pre­venir mais danos aos ecos­sis­temas sen­sí­veis e ao meio am­bi­ente aquá­tico, mas também para su­bli­nhar que as águas de es­goto são um re­curso (em termos de água e também de nu­tri­entes para o uso agrí­cola), cuja efe­tiva gestão é es­sen­cial para a so­be­rania hí­drica fu­tura”, in­dicou a ONU Água.

Muller ex­plicou que a África não pode se con­cen­trar na questão do es­goto sem ga­rantir, pri­meiro, um ser­viço de água po­tável ade­quado. “O foco em es­goto re­flete os de­sejos do mundo rico em re­duzir a con­ta­mi­nação, pro­teger o meio am­bi­ente e vender tec­no­logia”, ob­servou. “Há grandes ci­dades e vi­la­rejos onde a água é tra­tada e reu­ti­li­zada, em ou­tros, os agri­cul­tores ur­banos buscam águas não tra­tadas porque são um va­lioso fer­ti­li­zante. Mas em lu­gares sem um abas­te­ci­mento de água ade­quado ou sem rede de água en­ca­nada e es­goto, seu tra­ta­mento ainda não é uma pri­o­ri­dade, pois sem o abas­te­ci­mento não há es­goto. É uma questão ainda mais bá­sica do que pa­rece”, ex­plicou.

Se­gundo o WWC, cerca de 90% das águas ser­vidas no mundo voltam ao meio am­bi­ente sem tra­ta­mento. Mais de 923 mi­lhões de pes­soas não têm acesso à água po­tável e 2,4 bi­lhões não têm sa­ne­a­mento bá­sico ade­quado. “Quase 40% da po­pu­lação mun­dial já pa­dece de es­cassez hí­drica, nú­mero que pode au­mentar para dois terços da hu­ma­ni­dade em 2025. Além disso, perto de 700 mi­lhões de pes­soas vivem em zonas ur­banas sem acesso à água en­ca­nada”, in­dicou o Con­selho.

As águas que são vi­tais em tempos de seca, em es­pe­cial para a in­dús­tria e a agri­cul­tura, também podem servir para a pe­cuária e ge­ração de energia; o que con­tribui com o de­sen­vol­vi­mento so­cial e econô­mico dos países afri­canos, mas junto dela é pre­ciso uma in­fra­es­tru­tura de sa­ne­a­mento. “Con­se­guir avanços em ma­téria de água po­tável é um êxito tem­poral se não são aten­didos ou­tros ele­mentos, como o sa­ne­a­mento e a gestão de águas de es­goto, em es­pe­cial nas zonas ur­banas”, disse Clever Ma­futa, co­or­de­nador da GRID-Arendal, para a IPS.

“A água de es­goto ter­mina em fontes usadas para beber, e se não é bem ge­rida, po­demos perder fontes de abas­te­ci­mento de água po­tável”, anexou Ma­futa, cuja or­ga­ni­zação com sede na No­ruega co­la­bora com o Pro­grama das Na­ções Unidas para o Meio Am­bi­ente (Pnuma). A ONU es­tima que a África sub­sa­a­riana perde 40 bi­lhões de horas por ano – ou me­lhor, um ano in­teiro de tra­balho da po­pu­lação fran­cesa – re­co­nec­tando sis­temas de dis­tri­buição de água.

A visão da or­ga­ni­zação Água da África para 2025, lan­çada pelas agên­cias da ONU e ór­gãos re­gi­o­nais afri­canos em 2000, iden­ti­ficou con­di­ções cli­má­ticas ex­tremas, va­ri­ação de chuvas, ina­pro­priada go­ver­nança, ina­bi­li­dade dos acordos ins­ti­tu­ci­o­nais na gestão de nas­centes e o fi­nan­ci­a­mento in­sus­ten­tável dos in­ves­ti­mentos em água e sa­ne­a­mento bá­sico como ame­aças de es­cassez de água no con­ti­nente.

Mi­nis­tros afri­canos desta área ado­taram a De­cla­ração sobre Sa­ne­a­mento e Hi­giene de Ngor, em maio de 2015, no Se­negal, com­pro­me­tendo-se a ofe­recer acesso ao sa­ne­a­mento e eli­minar a for­mação de es­goto a céu aberto para 2030. Um ob­je­tivo ainda dis­tante.

O Con­selho de Mi­nis­tros Afri­canos sobre Águas de­sen­volveu um sis­tema de mo­ni­to­ra­mento e in­for­mação para o setor. O se­cre­tário exe­cu­tivo Ca­ni­sius Ka­nan­gire o con­si­derou um passo im­por­tante para as­se­gurar uma gestão efe­tiva e efi­ci­ente dos re­cursos hí­dricos do con­ti­nente e do abas­te­ci­mento ade­quado e igua­li­tário dos re­cursos hí­dricos. Es­pera-se que este sis­tema seja posto em ati­vi­dade.

Bu­sani Ba­fana é jor­na­lista zim­ba­bu­ense.
Ar­tigo pu­bli­cado em es­pa­nhol no portal Ips­No­ti­cias.
Tra­du­zido por Raphael Sanz, para o Cor­reio da Ci­da­dania.

(*) "A vida não tem padrão e a água é vida
Isto é apenas perto do rio com água ao redor do nosso centro missionário
Está a 5 km de distância do centro missionário ortodoxo de São Irene.
Eu vim aqui todas as manhãs, mas hoje as crianças insistiram em que devíamos nos juntar ... O que os chocou é a distância e o grande rio sem água.
Minha única súplica é por favor, com sua bondade, doar no nosso site de missão para que eu fizesse um poço (furo) que nos salvaria desta água suja e longa jornada.
Qualquer quantidade doada será muito apreciada ". (aqui)
 
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